Li sobre envelopes no blog de Ane Aguirre e comentei por lá uma coisa que não ando praticando, gostaria eu de abrir o envelope no qual me tento me esconder do mundo. Mas a cola que passei é dura e ainda não tenho forças para rasgar o papel de seda em que me envelopei.
Sinto falta dos amigos que derreteriam a cola com vinho, que quebrariam o gelo com fotos, que derreteriam a todos lendo poesia ou ouvindo Chico Buarque.

Fotografia de Sérgio Fonseca roubada por mim para rechear este post.
O Velho
Chico Buarque/1968
O velho sem conselhos
De joelhos
De partida
Carrega com certeza
Todo o peso
Da sua vida
Então eu lhe pergunto pelo amor
A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira
Que ele não brincou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugarO velho de partida
Deixa a vida
Sem saudades
Sem dívida, sem saldo
Sem rival
Ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me diz que sempre se escondeu
Não se comprometeu
Nem nunca se entregou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar
O velho vai-se agora
Vai-se embora
Sem bagagem
Não sabe pra que veio
Foi passeio
Foi passagem
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me é franco
Mostra um verso manco
De um caderno em branco
Que já se fechou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Não
Foi tudo escrito em vão
Eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar







3 comments
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Julho 24, 2007 às 10:56 pm
ane aguirre
Ju!!!
Que foto bem roubada essa!
Sobre envelopes: eu acho que se eu te contar melhor de onde veio aquele post vou estragar o que você escreveu aqui… vinho a derreter cola, amigos rasgando papéis de seda, abrindo linhas, lendo olhos, essas coisas são de um envelope de outra cor.
Mas aquilo, no post, era uma anotação minha depois de ler um conto do Silviano Santiago. Chamava-se O envelope azul e está num livro dele que vc poderá encontrar na minha estante (que vc já sabe onde fica), um livro chamado Histórias mal contadas. Eu li numa viagem de bus. Depois chorei. E anotei sentimentos como quem põe bilhete em envelope.
Beijo, querida. E obrigada pelo roubo.
Julho 24, 2007 às 11:06 pm
ane aguirre
Ah…
Sobre a música que você postou ( e que eu gostei muito), alguém me cochichou que o velho não gosta de música.
Fiquei pensando. No velho. Na vida.
Beijo de novo.
Julho 24, 2007 às 11:15 pm
sergiofonseca
Acho que não é bem “não gosta de música”. É não ouve música. O que dá quase no mesmo.
Ju, só posso agradecer por ter sido tão bem roubado!
Beijo grande!