Li sobre envelopes no blog de Ane Aguirre e comentei por lá uma coisa que não ando praticando, gostaria eu de abrir o envelope no qual me tento me esconder do mundo. Mas a cola que passei é dura e ainda não tenho forças para rasgar o papel de seda em que me envelopei.

Sinto falta dos amigos que derreteriam a cola com vinho, que quebrariam o gelo com fotos, que derreteriam a todos lendo poesia ou ouvindo Chico Buarque.

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Fotografia de Sérgio Fonseca roubada por mim para rechear este post.

O Velho
Chico Buarque/1968

O velho sem conselhos
De joelhos
De partida
Carrega com certeza
Todo o peso
Da sua vida
Então eu lhe pergunto pelo amor
A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira
Que ele não brincou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar
O velho de partida
Deixa a vida
Sem saudades
Sem dívida, sem saldo
Sem rival
Ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me diz que sempre se escondeu
Não se comprometeu
Nem nunca se entregou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar

O velho vai-se agora
Vai-se embora
Sem bagagem
Não sabe pra que veio
Foi passeio
Foi passagem
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me é franco
Mostra um verso manco
De um caderno em branco
Que já se fechou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Não
Foi tudo escrito em vão
Eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar