Annie

A gente deixa de escrever um dia, depois dois e quando vê já se foi mais de mês. Mas a vida é assim… É assim com os amigos que vemos de tempos em tempos, em tempos cada vez mais raros e às vezes só descobrimos isso quando é tarde demais. Quando não há mais tempo de ter tempo para eles. Aqui ao meu lado uma foto de Annie, linda com seus olhos azuis carregando em suas mãos um bolo enorme com velas fumegantes para comemorarmos mais um aniversário de Photosyntesis. Segundo Baudrillard fotografar é decretar algo a morte, mas às vezes, talvez por ignorância, sou obrigada a discordar dele. No fundo acho que fotografar é um modo torto de manter vivos os momentos mais especiais das nossas vidas ordinárias. Vidas estas que seriam mais ordinárias sem estes momentos. Mas tem dia que a fotografia é dor, não sei bem o que faz dela uma doce lembrança ou um punhal a nos ferir as entranhas. Dia destes estava na casa de minha avó e me deu uma dor incrível quando vi uma foto de minha tia Adair rindo com os netos no porta retrato. Meu coração ficou pequeninho de tão apertado que estava ao perceber que agora a minha tia querida, segunda mãe da minha existência, tinha se resumido a uma imagem no porta retrato, pensei um Baudrillard e naquele exato momento concordei com ele. Annie e Adair duas pessoas comuns que moravam na mesma cidade, que se conheceram brevemente em uma vernissage, que gostavam de poesia, gostavam de ensinar, gostavam de fotografia e que por sorte minha gostavam de mim. Adeus minhas queridas!

adair.jpg