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Silêncio

Ouvi sussurros por detrás dos muros
Ouvi crianças em delírio puro
Ouvi o vento e seu assovio
Que trazia o frio em seus versos curtos
Ouvi, ouvi, ouvi, ouvi!
E cada vez mais silêncio eu vi.

Ouvi o badalar retumbante das horas
Ouvi o tic tac do relógio duro
Ouvi o tempo roubar meu destino
Enquanto galopava como cavalo xucro
Ouvi, ouvi, ouvi, ouvi!
E cada vez mais silêncio eu vi.

Ouvi os gritos desesperados de Kurt
Ouvi o eco dos dias calados
Ouvi o som dos desesperados
Que jamais cessou mesmo silenciado
Ouvi, ouvi, ouvi, ouvi!
E cada vez mais silêncio eu vi 

Hoje estava muito brava e mais uma vez Nevermind, do Nirvana, me resgatou do lodo em que eu me emplastava. Adoro sentir meu corpo vibrando junto com o som que sai furioso dos autos-falantes. Vivo o rock’n roll. Viva o rock’n roll!

Dave

Radiola: Dave Grhol nas baquetas, nas palhetas ou nas cordas vocais. Dave é Puro Rock’n roll.

Li sobre envelopes no blog de Ane Aguirre e comentei por lá uma coisa que não ando praticando, gostaria eu de abrir o envelope no qual me tento me esconder do mundo. Mas a cola que passei é dura e ainda não tenho forças para rasgar o papel de seda em que me envelopei.

Sinto falta dos amigos que derreteriam a cola com vinho, que quebrariam o gelo com fotos, que derreteriam a todos lendo poesia ou ouvindo Chico Buarque.

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Fotografia de Sérgio Fonseca roubada por mim para rechear este post.

O Velho
Chico Buarque/1968

O velho sem conselhos
De joelhos
De partida
Carrega com certeza
Todo o peso
Da sua vida
Então eu lhe pergunto pelo amor
A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira
Que ele não brincou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar
O velho de partida
Deixa a vida
Sem saudades
Sem dívida, sem saldo
Sem rival
Ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me diz que sempre se escondeu
Não se comprometeu
Nem nunca se entregou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar

O velho vai-se agora
Vai-se embora
Sem bagagem
Não sabe pra que veio
Foi passeio
Foi passagem
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me é franco
Mostra um verso manco
De um caderno em branco
Que já se fechou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Não
Foi tudo escrito em vão
Eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar

Annie

A gente deixa de escrever um dia, depois dois e quando vê já se foi mais de mês. Mas a vida é assim… É assim com os amigos que vemos de tempos em tempos, em tempos cada vez mais raros e às vezes só descobrimos isso quando é tarde demais. Quando não há mais tempo de ter tempo para eles. Aqui ao meu lado uma foto de Annie, linda com seus olhos azuis carregando em suas mãos um bolo enorme com velas fumegantes para comemorarmos mais um aniversário de Photosyntesis. Segundo Baudrillard fotografar é decretar algo a morte, mas às vezes, talvez por ignorância, sou obrigada a discordar dele. No fundo acho que fotografar é um modo torto de manter vivos os momentos mais especiais das nossas vidas ordinárias. Vidas estas que seriam mais ordinárias sem estes momentos. Mas tem dia que a fotografia é dor, não sei bem o que faz dela uma doce lembrança ou um punhal a nos ferir as entranhas. Dia destes estava na casa de minha avó e me deu uma dor incrível quando vi uma foto de minha tia Adair rindo com os netos no porta retrato. Meu coração ficou pequeninho de tão apertado que estava ao perceber que agora a minha tia querida, segunda mãe da minha existência, tinha se resumido a uma imagem no porta retrato, pensei um Baudrillard e naquele exato momento concordei com ele. Annie e Adair duas pessoas comuns que moravam na mesma cidade, que se conheceram brevemente em uma vernissage, que gostavam de poesia, gostavam de ensinar, gostavam de fotografia e que por sorte minha gostavam de mim. Adeus minhas queridas!

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